quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Podemos parar, mas não ficamos inertes!


         
         Confesso que o dia 30 de agosto me causa certa nostalgia. Não por ser o dia em que comemoro mais um ano de vida – pois adoro fazer aniversário – mas por me lembrar que todos os anos, enquanto aluna, não havia aulas nas escolas onde estudava. Eu era o tipo de estudante que gostava muito de estudar, e não ir à escola no dia do meu aniversário me chateava bastante. Hoje, me deparei com a mesma realidade. Enquanto docente, não fui à escola lecionar, e como ensinar é o que gosto de fazer – por isso a escolha da profissão – gostaria de, nesse dia tão importante para mim, comemorar lecionando.
Ao analisar a questão, poderiam me interrogar: - Por que então não está em sala de aula nesse 30 de agosto? O motivo é simples, mas muito complexo. Se eu sou professora, preciso incorporar esta profissão, ou seja, preciso fazer parte da luta dessa classe em defesa dos seus direitos. Luta que precisa ser entendida como parte da nossa prática docente, como forma de demonstrar nosso respeito a nós mesmos como profissionais na busca constante do aprimoramento e, também, respeito ao nosso educando, uma vez que, se eu me proponho a fazer um trabalho, devo fazê-lo da melhor maneira possível. Não posso deixar de me esmerar na minha prática pedagógica porque não tenho minhas reivindicações atendidas, porém, não posso deixar de lutar pelas mesmas. E nessa luta, vivencio seus prós e contras. Se me sinto imensamente feliz com os avanços no aprendizado dos meus alunos; sinto-me muito triste com a desvalorização do profissional educador. E por isso, preciso me unir aos meus colegas professores me posicionando diante do que nos deixa tristes e indignados.
Muitos destes educadores estão no magistério bem antes de eu haver entrado no 5º ano escolar e permanecem reivindicando os nossos direitos e, consequentemente, de toda a sociedade, ou seja, melhores condições para o melhor desempenho das suas funções. E se há tanto tempo se fazem as mesmas reivindicações é porque não obtivemos o necessário para a realização do nosso trabalho. Não faz sentido reclamar sem motivo.
E ao pensar nisso, relembro o motivo de estar escrevendo essa crônica: O dia 30 de agosto. Foi nesse dia, no ano de 1988, que muitos professores foram fazer reivindicações por melhorias para a Educação na capital do nosso Estado e foram tratados pior do que se trata um animal irracional. Logo nossa classe, que transmite os saberes dos seres racionais. A violência sofrida demonstra claramente a falta de argumentos dos detentores do poder político da época, pois é de senso comum que usar a violência é demonstrar incapacidade de argumentar com palavras e idéias. É uma grandiosa demonstração de fraqueza, mesmo tendo como recurso o poderio de uma cavalaria.
Nesse dia muitos colegas estão naquela mesma cidade, palco do desrespeito que sofremos, apresentando nossas reivindicações; Outros muitos se mobilizam junto ao nosso sindicato para também reivindicar. Não estamos fora das salas de aula sem propósito. 30 de agosto não é dia de ficar parado. É dia de demonstrar que não esquecemos que nossos governantes se esquecem de nós. Mesmo cansados de argumentar, não caímos no indiferentismo que fatalmente nos levaria a cruzar os braços. É como diz o grande educador brasileiro Paulo Freire: Sabemos que a luta é uma categoria histórica, por isso precisamos reinventar as formas de lutar. Utilizamos nossos saberes para demonstrar nossa indignação, mas não deixamos de acreditar que podemos fazer a diferença. Paramos sim! Mas não estamos parados. Não estamos inertes!                                                                                      Cleo...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O mundo dos sonhos


                   O que eu vou contar aqui aconteceu realmente, mas com a minha irmã...
            Conta-se que na época dos reis e rainhas foi construída na cidade de Londres uma escola encantada, mas que nunca recebeu alunos. Bem, nunca recebeu alunos até uma professora de geografia comprar a escola, reformá-la e fazer dela realmente uma escola.
            Essa professora se chamava Margaret e tinha cerca de 50 anos, mas mesmo nessa idade ela procurou, casa por casa, em Londres até encontrar professores para lecionarem na sua escola. E ela encontrou. Depois que as reformas acabaram, ela e todos os 47 professores, iniciaram as aulas, e por incrível que pareça com 2.500 alunos! E um desses alunos era a minha irmã.
            Então como eu disse, essa escola era encantada e por consequência disso os professores também eram um pouco... diferentes. Quando minha irmã Emmy chegou nessa escola, percebeu a diferença, mas como todos agiam assim isso passou a ser normal pra ela, um pouco também porque ela começou a ficar diferente pelo convívio na escola.
            Mas a minha história não é sobre a escola, é sobre uma aula que a minha irmã teve quando estava no 1º ano do Colegial. Era aula de magia com um professor que era mago (uau, eu sei que é estranho um professor mago, mas é verdade!). Então, esse professor mago pediu para os alunos misturarem umas poções num caldeirão e ligarem o rádio na melodia que eles mais gostavam. Todos, inclusive minha irmã que era muito inteligente, acharam estranho o fato de terem que ligar o rádio numa aula de magia, mas não discutiram.
            O professor viu as caras de espanto dos alunos e explicou que a melodia era para que eles pudessem voltar dos seus sonhos. Pois aquelas poções que eles jogaram no caldeirão eram pra eles viajarem no seu sonho mais profundo. Todos os alunos se olharam e, curiosos, resolveram tentar. O professor avisou que se a melodia não funcionasse, ou seja, se ela não fosse poderosa o suficiente para ser ouvida no sonho deles, ficariam presos nesse sonho para sempre. E se, ao som da melodia, não pegassem o portal de volta também ficariam presos lá. Todos concordaram e seguindo as instruções do professor mergulharam no caldeirão.
            O que vou contar a partir de agora é o que aconteceu somente com a minha irmã, que vou chamar apenas de Emmy. 
            Quando Emmy acordou estava sentada num jardim, num lugar extremamente estranho, pois o céu era roxo, as árvores cor-de-rosa e pra todo lado se via pessoas todas emperiquitadas passeando nas ruas. A primeira impressão foi de espanto, mas depois Emmy percebeu que conhecia esse lugar, que já estivera ali alguma vez.
            Ela se levantou e começou a caminhar pelo jardim. Por todos os lados ela via flores cor-de-rosa e lilases, cachorrinhos brancos que de longe pareciam ser feitos de algodão-doce e coisas assim. Depois de tanto andar, Emmy avistou lá no meio de um imenso labirinto de flores gigantes, um castelo de diamantes. Ela ficou maravilhada com o castelo, e decidiu ir vê-lo. Quando chegou à entrada do labirinto se deparou com cachorros iguais àqueles que ela havia visto antes, só que enormes. A primeira coisa que pensou foi em sair correndo. Mas ao invés disso, ela se lembrou que estava em um sonho e num sonho se pode tudo. Então rapidamente, de acordo com o que ela desejava, suas roupas se transformaram em roupas de guerreira antiga com espada, escudo, lança, e até uma bota de couro preta com um vestido da mesma cor, e um cinto de prata preso na sua cintura. Ela admirou as suas roupas e logo em seguida atacou os cachorros. Após tê-los derrotado, Emmy percebeu que estava no meio do labirinto de flores gigantes e que não fazia ideia de como sair de lá.
            Ela se sentou no chão do labirinto e começou a pensar: “Aff! Primeiro não sei de onde conheço esse lugar; segundo não sei como derrotei aqueles cachorros; e terceiro não tenho a menor ideia de como sair daqui!”.
            De repente sai voando de trás das flores um tapete voador e para bem na sua frente. Ela olha perplexa pro tapete como se não acreditasse no que estava vendo. Então como se não bastasse o tapete voar, ele começou a falar:
            - Com licença, quem é você? – ele perguntou meio assustado.
            - Ah, eu... eu sou a Emmy. – respondeu espantada.
            - Srta. Emmy, a srta. não é daqui, é?
            - Não, eu não sou. Sou de Londres.  
            - Londres? Onde fica isso?
            - Na Inglaterra. Nossa! Você não sabe onde é?
            - Não? Eu devia saber?
            - Sim! Londres é uma cidade muito importante!
            - Desculpe srta., eu não sabia!
            - Mas afinal, que lugar é esse?
            - Nossa, agora sou eu que estou espantado! Você não sabe onde estamos?
            - Não! Por quê?
            - Porquê estamos em Pinkville, o centro da moda do reino de Dream.
            - Onde?
            - Venha comigo vou te levar pra fora desse labirinto, e aí você vai saber do que estou falando.
            Ouvindo isso, Emmy subiu no tapete e eles levantaram voo. Lá fora ela viu várias lojas, boutiques, estúdios de beleza, salões de beleza, e coisas desse tipo.
            - Uau, o prefeito daqui investe muito em beleza, hein!
            - Prefeito? Aqui não tem prefeito, quem governa é a princesa Brithney Styleson.
            - Princesa? Que eu saiba só a Inglaterra é governada pela família real. Todos os outros lugares são governados por uma república.
            - Desculpe, mas todos os lugares são governados pela família real.
            - Não! Eu tenho certeza disso, e até sei qual foi o primeiro país a proclamar a independência.
            - Então tá! Se não quer acreditar em mim, veja com seus próprios olhos!
Dizendo isso o tapete deu meia volta e foi em direção ao castelo de diamantes.
            - Só posso ir até aqui. - Disse ele deixando Emmy na porta do castelo. – Mas continue e verá a nossa princesa! Tchau! - E saiu voando.
            “OK! Vamos lá!”- pensou Emmy entrando no castelo. 
            Ao entrar, Emmy se deparou com uma decoração extremamente cor-de-rosa e roxa. Candelabros de ouro e prata, espelhos em todos os lados e bem no centro da sala de entrada uma mesa enorme de ouro e diamantes, com cadeiras rosas com o tecido bordado a ouro. Pra ela foi espantoso, nunca na vida tinha visto algo tão bonito. Mas mesmo em estado de transe, ela continuou andando. Subiu as escadas de diamantes roxos que deu num corredor enorme, onde havia cinco salas. Emmy escolheu a terceira sala que tinha uma porta rosa com diamantes nos cantos e um espelho bem no meio.
            Ela chegou perto da porta, e viu que estava entreaberta. Espiou e lá dentro viu uma moça loira dos olhos verdes, de uns 24 anos, usando um vestido rosa com detalhes em ouro, até o joelho, um salto de uns 5 centímetros prateado e uma coroa de ouro nos cabelos soltos que iam até o meio das costas. Ela era linda, como tudo que Emmy havia visto naquele lugar. Emmy se espremeu mais para ver, mas acabou empurrando a porta e fazendo com que a moça a visse.
            - Ah! Quem é você? O que faz no meu castelo? – ela perguntou.
            - Des... culpe! Eu não queria te assustar! Eu só estava observando!
            - Pois me assustou! E que negócio é esse de ficar me observando? Eu sei que sou bonita, não, na verdade eu sou perfeita, mas não precisa me bisbilhotar!
            - Desculpe! A Sra. sabe me dizer onde está a princesa Brithney Styleson?
            - Senhora? Quem você ousa chamar de senhora?! Eu sou a princesa dessa província e você, sua menininha insignificante, não tem o direito de me xingar! – disse super irritada.
            - Ah, me desculpe eu não queria ofendê-la!
            - Pois saiba que me ofendeu!
            - Então a srta. é a princesa Brithney?
            - Sim, eu sou! Precisa de mim para alguma coisa?
            “Agora que ela perguntou, eu sinceramente não sei pra que eu vim aqui!” – pensou Emmy.
            - Ah..., você sabe como eu saio daqui?
            - Você não é daqui?
            - Não, eu sou de Londres.
            - Interessante! Pra onde você quer ir?
            - Sabe, eu não sei!
            - Como não?
            - É que eu estava na aula de magia e fui transportada para cá.
            - Ah, então você quer voltar, não é? Céus, eu sabia que ia vir gente, mas não sabia que essa ‘gente’ era tão estranha! – disse a princesa consigo mesma – Menina, tenho instruções para mandá-la para Goldville. Mas para isso, você deve achar, aqui na cidade, um quadro mágico e então você vai, magicamente, para lá!
            - Uau! Uau! Uau! Você sabia que eu viria aqui?
            - Sim! Foi comunicado no congresso Dream, que cada cidade iria receber um visitante que já havia sonhado com o nosso mundo.
            - Uau! Que lugar é esse que eu vou?
            - Ah, é Goldville. É um lugar que neva o ano inteiro, mas é o lugar mais rico e poderoso de Dream inteira!
            - Uau de novo! Onde eu acho esse quadro que me transportará ‘magicamente’ até Goldville?
            - Ah, é fácil! É no estúdio de... Céus! Eu não posso te contar! É contra as regras! Desculpe! Vai ter que descobrir.
            - OK! Eu procuro! Mas, como eu faço para passar pelo seu labirinto?
            - Ué, o sonho não é seu? Então deseje o que quiser!
            - Eu posso?
            - Desde que não seja contra as regras, pode!
            - Maneiro! Então tchau princesa Brithney! E obrigada!
            Então Emmy, muito esperta, desejou voar e saiu voando pela janela do castelo até o centro da cidade.
            Quando chegou se deparou com pessoas usando as últimas tendências da moda, andando como modelos e com ar de superioridade. Mesmo não gostando muito delas resolveu pedir pra uma mulher ruiva de olhos pretos meio rosados ao redor que usava um vestido de onçinha se ela sabia onde ficava um estúdio. A mulher muito mal-humorada olhou pra Emmy da cabeça aos pés e respondeu:
            - A rua dos estúdios fica duas quadras acima á esquerda. – disse nojentamente a mulher e saiu.
            Emmy se olhou e viu que ainda estava com as roupas de guerreira e pensou que devia ser por isso que a mulher olhou pra ela daquele jeito. Então ela desejou estar usando uma adorável calça jeans, uma blusa xadrez azul e o seu all-star branco. E instantaneamente suas roupas mudaram, e ela seguiu em frente tranquilamente.
            Emmy virou a esquerda como a mulher havia lhe dito e entrou numa rua repleta de monumentos com a fachada que dizia: ‘Estúdio de alguma coisa de Pinkville!’.  ‘Como que eu vou saber em qual estúdio entrar?’- pensou Emmy assustada. Sem ter o que fazer, ela resolveu entrar em todos para ver se achava um quadro mágico. E entra num sai do outro, entra nesse e vai naquele, entrou num estúdio de balé.         
            - Bom dia senhorita! Em que posso ajudá-la? – perguntou uma voz.
            Emmy olhou a seu redor e só viu um tatame, vários espelhos, um camarim cheio de roupas e uma coleção de quadros e medalhas, mas não viu ninguém.
            - Queridaaa! Oi, aqui em cima! – Emmy olhou pro teto de diamantes espelhados do estúdio e viu uma mulher morena usando no cabelo um coque e uma roupa rosa de bailarina. - Oi querida! Em que posso ajudá-la? – perguntou ela.
             - Ah, bem eu procuro um quadro mágico que me transportará para Goldville. – respondeu Emmy perplexa.
            - Uhuu! Então é você a viajante de outro mundo! – disse a mulher descendo do teto por uma corda dourada. – Que bom que você veio! Esse estúdio é tão parado!
            - Você sabe onde está o quadro? – perguntou Emmy
            - Claro anjinho! Está vendo aquela coleção? – perguntou a mulher apontando para a coleção de quadros e medalhas. – Então é só você admirá-la, e o quadro que você mais gostar será então o quadro mágico!
            - É só isso?
            - Sim amor, é só isso! Vai lá, vai! Vai admirar os meus belíssimos quadros!
            Emmy se dirigiu até a coleção, e começou a observar os quadros. Havia quadros de meninas dançando, de roupas de balé, de uma casa dourada, da princesa Brithney e vários outros, mas o que chamou a atenção de Emmy foi um quadro de uma família (pai, mãe, um filho e uma filha). Ela ficou olhando o quadro, admirando as roupas da família, analisando os tipos de cabelo e os olhos brilhantes que todos tinham.
            - Eba, eba! Você achou o seu quadro! Uhuu! E foi uma ótima escolha! – disse a mulher toda alegre - Pois o quadro que você escolheu vai lhe dar alguns privilégios!
            - Que privilégios?
            - Você, no caminho para a sua casa vai encontrar objetos mágicos que vão te ajudar em momentos difíceis! E depois de encontrá-los, pra você contar com a ajuda deles é só chamá-los!
            - Legal! E agora como eu faço para passar pelo quadro?
            - É só desejar isso!
            E foi o que Emmy fez. Ela desejou de olhos fechados com toda força passar por aquele quadro. Assim que abriu os olhos sentiu uma rajada de vento congelante, seus dentes começaram a tremer e Emmy mal conseguia ficar em pé.
            - Desejo, agora usar uma bota, uma calça mais quente, uma blusa de manga comprida preta de gola, um casaco roxo, um cachecol branco e uma boina de lã branca!- desejou Emmy tremendo de frio, e como nas outras vezes suas roupas mudaram instantaneamente.
            Assim que estava agasalhada, Emmy olhou ao seu redor e viu que a neve era dourada, que havia charretes de ouro e prata sendo puxadas por unicórnios brancos, árvores prateadas com folhas de ouro e nenhuma pessoa ou ser vivo. Ela ficou assustada, e resolveu andar pelo lugar, mas era difícil por causa da neve, e então Emmy desejou um trenó para se locomover na neve. E, como sempre, instantaneamente, um trenó de ouro apareceu na sua frente. Ela subiu e começou a andar.
            Emmy chegou a um vilarejo que só havia casas abandonadas. Ela desceu do trenó e foi andando pelas ruas. O vento frio rachava o seu rosto e suas mãos congelavam. ‘Desejo agora um par de luvas brancas!’. E o par de luvas apareceu em suas mãos. Com o frio amenizado, ela continuou andando até avistar ao longe uma casa enorme, que para ela era uma mansão, bem parecida, aliás, com o Palácio de Buckingham, na amada sua Inglaterra.
            Ela foi correndo até lá e parou em frente ao imenso portão de entrada, que como tudo era feito de ouro puro e reluzente. Analisou a mansão que tinha cinco andares e umas cinquenta janelas, e bem no meio uma porta enorme com uma legenda minúscula que dizia ‘Mansão da Rainha Elisah. ’
            Emmy bateu palmas e de dentro do castelo apareceu um rapaz que tinha mais ou menos a sua idade, e veio abrir o portão. Ele usava uma roupa toda dourada como as dos príncipes de antigamente, tirou do bolso direito uma chave de uns 10 centímetros e abriu o portão.
            - Entre, por favor! Aqui está muito frio! – disse ele apontando para a mansão.
            Emmy o acompanhou até lá, e quando entrou teve uma reação bem parecida com aquela que teve ao entrar no castelo de diamantes em Pinkville. Era tudo reluzente, feito de ouro da melhor qualidade. Seus olhos chegavam a ofuscar de tanta luz.
            - Me siga até a minha mãe, por favor. – disse ele naturalmente.
            - Que lugar é esse? – perguntou ela timidamente.
            - É a mansão real de Goldville. Eu sou o príncipe Liam Payke. E lá em cima você vai encontrar a minha mãe, a Rainha Elisah Payke.
            - Uau! Eu sou apenas Emmy Malikarter. – disse Emmy muito espantada.
            Eles andaram três lances de escadas e entraram num quarto enorme com paredes de prata e com todos os móveis dourados. E sentada numa poltrona havia uma mulher de uns 42 anos vestida como rainha, com roupas douradas e uma coroa de ouro puríssimo em sua cabeça.
            - Olá menina! Então é você a criatura de outra dimensão? – ela perguntou.
            - Sim, sou eu, Alteza! – disse Emmy pensando em fazer certo e não pagar nenhum mico na frente do príncipe.
            - Muito bem! Você já sabe o que tem que fazer?
            - Não senhora! Eu não tenho a menor ideia!
            - Ótimo! Liam, leve-a e mostre tudo o que precisar para ela passar para a outra dimensão!
            - Sim, mamãe! – disse ele, e pegou Emmy pela mão. – Vamos!
            - Pra onde vamos? – perguntou Emmy quando saíram do quarto.
            - Para o último andar. Lá tem tudo o que você precisa para passar para Monstertville.
            - Passar pra onde? – perguntou Emmy assustada.
            - Calma, é um lugar um tanto assustador, mas quem governa é justo e leal!
            Andaram por um corredor e entraram numa sala enorme que, por incrível que pareça, não era de ouro. Entrando na sala Liam abriu um livro, destampou um caldeirão e abriu a janela.
            - OK! Podemos começar. Sente-se, por favor! – pediu com delicadeza. – Vou lhe contar a história de Dream. Há muito tempo atrás no seu mundo todos acreditavam em magia, que fadas, monstros, super-poderes existiam. Mas o seu mundo evoluiu, e passou a ver isso como coisas de outro mundo, coisas que não existem! Então, meio que automaticamente, essas coisas e todas as outras como reis e rainhas, príncipes e princesas, foram deixados de lado, e tiveram que achar um lugar para viver. Assim um centauro muito inteligente fundou o mundo dos sonhos, com a ideia de que as pessoas tivessem um contato conosco enquanto estão dormindo. – ele fez uma pausa. – Mas isso não foi o suficiente, pois mesmo os sonhos das pessoas já estavam sendo invadidos por preocupações da vida. Então os descendentes desse centauro, entraram nos sonhos de uma professora e a fizeram construir uma escola encantada, na qual os alunos viriam a conhecer todos os anos o nosso mundo, através do seu sonho mais profundo. – ele fez outra pausa e observou Emmy, deu um sorrisinho tímido e continuou. - Esse sonho é um sonho da pessoa mesmo, um sonho que ela sonhou quando ainda acreditava que nós existíamos. Nesse sonho a pessoa tem que passar por várias dimensões para ver no que um dia ela acreditou com o objetivo de que ela volte a acreditar nelas.
            Quando ele terminou Emmy estava espantada, pois não sabia se acreditava ou não nessa história, pois com 15 anos é estranho alguém acreditar em tudo isso, mas resolveu fazer um esforço.
            - Se isso tudo aconteceu realmente, vocês foram basicamente banidos! Não é?
            - É isso mesmo! E você deve nos ajudar voltando a acreditar no que um dia você acreditou!
            - OK! Vou tentar! Mas como é que eu passo para Monsterville?
            - Muito bem! – disse Liam se levantando. – Está vendo esse livro e esse caldeirão?
            - Sim!
            - Eles são mágicos! O livro é um livro de poções e o caldeirão é de sonhos! – disse sorrindo.
            - E o que isso tem a ver com a minha ida a Monsterville?
            - Você terá que jogar aqui dentro umas poções que estão naquele armário de acordo com o livro. – disse apontando um armário de madeira no canto da sala.
            - Beleza! – disse Emmy pegando o livro da mão de Liam.
            - Ei! Calma! Você primeiro tem que saber que tipo de sonho você quer ter em Monsterville!
            - Como assim?
            - Monsterville é um lugar temporário, que muda sempre. Você já deve ter tido pesadelos. Não é? – Emmy fez que sim com a cabeça. – Então todos os pesadelos vêm de lá. E antes que você não queira ir, só pra te avisar, as pessoas têm pesadelos para alertá-las de algo ruim.
            - OK! Eu quero ter um pesadelo bem calmo! – disse Emmy assustada.
            - Escolha um tema!
            - Pode ter uma lua cheia prateada, ruas escuras e cheias de árvores, um lago azul, não um lago preto, um navio naufragado nesse lago, vento sussurrante, uma casa mal-assombrada, quando estiver de dia um sol cinza metálico e ah... vampiros!
            - Nossa! E eu achei que você estava com medo!
            - É que eu estou lendo um livro de terror de um amigo o Tom Linsonyk!
            - Esse seu amigo, não só tem um sobrenome estranho, como tem gostos aterrorizantes! - eles sorriram um pro outro.
            - Agora é só eu procurar essas poções no armário e jogar aqui? – perguntou ela.
            - É, é só isso! – disse Liam pensativo.
            - O que foi? – perguntou Emmy.
            - É que eu nunca fui à Monsterville!
            - Você pode vir comigo! De acordo com o livro se são mais de uma pessoa que vão passar é só jogar as poções em dobro.
            - É sério? Eu posso ir junto?
            - Claro! Vai ser mais aterrorizante! – disse Emmy sorrindo.
            Então eles jogaram as poções no caldeirão e foram transportados para um lugar muito escuro, que só dava pra ver a lua cheia prateada e um carrossel que girava sem ter ninguém brincando.
            - Como é escuro e quente aqui!- disse Emmy olhando pras roupas deles. – É melhor trocar de roupa! – dizendo isso Emmy desejou que suas roupas de inverno se transformassem em uma sapatilha azul florida, numa calça menos quente, numa regata azul na qual estava escrito ‘I LOVE LONDON!’ e num colar de estrela dourado. Ela também transformou as roupas de Liam num tênis da branco com preto, numa calça jeans e numa camiseta xadrez azul pra combinar com a dela.
            - Agora sim! Está perfeito! – disse ela sorrindo.
            - Que roupas estranhas! – disse Liam perplexo.
            - São roupas simples! Nunca saem de moda!
            - São estranhas, isso sim!
            - Agora você pode me dizer por que tem um carrossel no meio do meu pesadelo? – perguntou Emmy apontando pro carrossel que continuava a girar sozinho.
            - Você não desejou isso?
            - Não! – respondeu – A não ser que seja um dos meus privilégios!
            - Privilégios? – perguntou Liam.
            - Sim! Quando eu fui passar pra Goldville, eu precisava achar um quadro mágico, e quando eu achei a mulher do estúdio de balé, onde estava o quadro disse que de acordo com a minha escolha, eu teria ao longo do caminho alguns privilégios!
            - E o que esses privilégios fazem?
            - Eles vão me ajudar nos momentos mais difíceis!
            - Então vamos lá vê-lo! – disse Liam andando em direção ao carrossel.
            - Como vamos saber se ele vai nos ajudar, se ele não fala?
            - Quem disse que eu não falo menina? – disse um dos cavalos do carrossel. – Eu falo muito bem, e em quinze idiomas diferentes.
            - Desculpe! Eu não sabia! Se você fala, você também pode me ajudar, não é?
            - Claro! Eu sou um dos seus privilégios!
            - Então no que você pode nos ajudar? – perguntou Liam.
            - Vou levá-los até a rua onde está o portal pra você ir pra casa! – disse o cavalo – Mas tomem cuidado, pois há vampiros andando pelas ruas.
            - Pode deixar! Vamos tomar! – disse Emmy confiante.
            - Então subam em mim, e vou levá-los até lá! – assim que ele disse isso Emmy e Liam subiram no carrossel e pararam numa rua escura e repleta de árvores. Logo correram para trás de uma árvore.
            - Deve ser lá o portal, naquela cerca - viva que está brilhando. – sussurrou Emmy para Liam.
Era uma cerca - viva comum, só que havia um retângulo cujas bordas brilhavam, apagando e acendendo como um pisca-pisca de natal.
            - Mas como vamos passar pelos vampiros? – perguntou Liam.
            - Ei, psiu! Vocês aí! Olhem pra cá! Aqui em baixo! – disse uma voz fina vindo do chão.
            - Quem é você? – perguntou Liam.
            - Eu sou Tay, a pincel mágica! – disse um pincel lilás sorrindo. – E sei como vocês podem passar pelos vampiros sem que eles ou o rei Nick Horany os veja.
            - Como? – perguntou Emmy interessada.
            - É só vocês fazerem um desenho me usando. Pode ser um animal, ou qualquer coisa que distraia a atenção deles. Então todos os vampiros vão olhar e vocês poderão passar pelo outro lado sem que eles os vejam. – disse Tay sorrindo.
            - Beleza! Vem cá! – disse Emmy pegando Tay na mão e desenhando um elefante amarelo. – Liam me ajuda a colocá-lo ali na rua! – Liam se levantou e empurrou o elefante, que por sinal era bem leve, até a rua.
            - OK! Tchau pessoal, foi bom conhecê-los! – disse Tay se escondendo atrás da árvore.
            - Vamos Liam! Os vampiros já estão vindo! – disse Emmy puxando Liam pelo braço.  – Obrigada! – Disseram eles para Tay. Então cruzaram a rua correndo e foram em direção ao portal. Mas de repente na frente deles apareceu um homem muito alto, usando uma capa preta sobre a sua roupa preta.
            - Aonde vocês pensam que vão? – perguntou o homem.
            - Ah..., nós..., vamos pro... portal! – disse Emmy horrorizada.
            - Então vocês são os seres de outro mundo que vieram para voltar a acreditar no que há nos sonhos? – perguntou.
            - Só ela é. Eu sou Liam Payke, de Goldville, só estou ajudando. – disse Liam.
            - Muito bem, Liam. Você não se lembra de mim? Eu sou o seu padrinho, o rei Nick Horany.
            - Nossa, como você mudou! – disse Liam um tanto perplexo.
            - Pois é! – disse sério – Você disse que está ajudando essa linda moça a passar pelo portal. Mas eu acho que você esqueceu que não pode passar pelo portal junto com ela, não é?
            - O que?! Por que ele não pode passar pelo portal comigo? – disse Emmy meio triste e assustada.
            - Porque ele pertence à Dream, e não pode mudar de dimensão, a não ser que a família dos centauros permita. O que é muito difícil, pois se eles perdessem um príncipe perderiam todas as outras criaturas!
            - Mas...
            - Não se preocupe, ele vai ficar bem! Vai voltar para Goldville! Mas agora, que tal você passar logo pelo portal, porque eu não vou segurar os meus vampiros quando eles acabarem.
            - Vamos Emmy, vamos pro portal! – disse Liam a puxando pela mão.
            - Você não pode vir comigo!
            - Eu sei! Mas o importante é que você vá!
            - Eu não quero ir e te deixar aqui!
            - Por que não?
            - Porque eu me apaixonei por você! – disse Emmy de cabeça baixa.
            - Escuta Emmy. – disse Liam levantando a cabeça dela. – Você não pode me levar, mas pode sonhar comigo todas as noites. – dizendo isso segurou o seu pescoço e beijou seus lábios. – Eu também me apaixonei por você! – disse sorrindo.
            - Eu nunca vou te esquecer, Liam! Você vai estar em todos os meus sonhos e no meu coração para sempre! – dizendo isso Emmy escutou uma melodia e entrou no portal.
            Quando abriu os olhos estava no final da aula de magia e todos estavam olhando para ela.
            - Aleluia! Pensei que tivesse ficado presa no seu sonho! – disse o professor. – Agora alunos arrumem o seu material e podem ir pra casa, pois o sinal já vai bater! Todos os alunos saíram inclusive Emmy.
            Quando ela chegou em casa foi direto pro nosso quarto e me contou toda essa história, que agora eu estou contando pra vocês. Pois o sonho dela antes de ter essa experiência era ter sua história contada para todas as pessoas, espero que ela não se incomode com o jeito que eu contei! Agora pessoal eu tenho que ir, pois vai ser a minha vez de viajar pro mundo dos sonhos! Tchau! 

            Contribuição de Larissa Flois. (histórias fantásticas)

domingo, 19 de agosto de 2012

Nome artístico

           Como se torna curioso o fato de fazer escolhas. Ao nascermos recebemos um nome e durante toda a vida precisamos nos habituar a ele. Primeiro é necessário aprender a distingui-lo, ou seja, quando nos chamam por esse nome precisamos saber que aquele som se refere a nós. Depois de nos acostumarmos à linguagem oral do nosso nome, vem à idade escolar e com ela a necessidade de aprender a escrever esse nome. Nessa fase inicial, quanto menor e mais simples o nome e o sobrenome, mais fácil se torna.
        Após esse aprendizado escrito partimos para a próxima etapa: a da origem e do significado. De acordo com a orientação de nossos professores vamos à pesquisa de campo, isto é, para a nossa casa e lá perguntamos a quem é autoridade nesse assunto: nossos pais. Descobertos assim a origem e o significado do nosso nome, passamos a senti-lo nosso, pertencentes a nós e nós a ele. Vida afora seguimos, fazendo abreviações do mesmo, recebendo alguns apelidos, nos sentindo mais importantes se ele também pertencer a alguma celebridade, em suma, convivendo com essa herança lingüística. E convivemos tão bem que passamos a utilizá-lo quase que automaticamente em todos os mecanismos que o solicitam.
         Entretanto, há outros momentos, já na vida adulta, em que se faz necessário incrementá-lo. Ainda é muito comum que as mulheres quando se casam venham a adotar o sobrenome do marido, mas já existem muitas que deixaram de fazê-lo, uma vez que legalmente, há essa possibilidade e continuam então a assinar seus nomes de solteiras. Para aquelas que adotam o novo sobrenome, há novamente a necessidade da adaptação a ele. E assim precisam conhecer sua história para se sentir parte dela.
           Há também os casos daqueles que utilizam um nome artístico. Muitas vezes é simples, alguns nomes parecem já haver sido escolhidos exatamente para a carreira que seu dono irá seguir. Outros nem tanto, precisam de algumas modificações, e às vezes, mesmo já tendo sido adotados e estar sendo usados passam por pequenas adaptações.
           Mas o momento de fazer a escolha é algo muito interessante. Passa-se por inúmeras dúvidas e bobas inquietações. Se o nome é muito curto, pode não causar impacto, mas um nome muito impactante pode chamar mais atenção para si do que para a obra do seu autor. Dependendo da carreira escolhida um nome musical é uma excelente escolha. Porém, pode a ele faltar a conotação de seriedade necessária a alguns trabalhos.
           Se de um nome longo tira-se dois ou três sobrenomes, pode-se entender que se está relegando parte da sua história. Se o mantém, há a segurança de se sentir completa, com a totalidade das suas raízes. Mas será que a história contada por nosso nome e sobrenome evidencia quem realmente somos? Essa dúvida me inquieta há algum tempo. Chego a várias conclusões e por fim não decido por nenhuma.
          Diante disso, continuo agindo da forma que acredito: que nome e sobrenome, sejam eles curtos ou longos, não constituem uma boa obra, ou não indicam sucesso para seu autor, e por isso sigo escrevendo. Mais um pouco. Um pouco mais. E deixo o nome assim como está.


Cleo...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Preciso escrever


Preciso escrever um poema

O melhor de todos, minha obra prima.

Há de ser um soneto livre de tudo o que o aliena

Cheio de cor, magia e rima.


Amo sonetos livres.

Livres de amarras, de métrica, de escansão.

Com versos curtos ou longos., que não os prive

De ritmo, musicalidade, emoção.


Necessito um poema criar, construir, compor...

Pode não ser o meu melhor...

Talvez seja até o meu pior!


Mesmo assim, preciso escrever agora...

O que está escrito na alma e a razão ignora

O que me faz sentir viva ou que me devora.


Cleo...