Não
estou tendo mais paciência comigo
Sentada aqui na cama
observo o filme que as minhas lembranças põem em cartaz neste dia de domingo.
São memórias de mulher ocidental latino-americana com sentimentos mistos e
simples, únicos e complexos, repleta de culpas incutidas pela cultura na qual
está inserida e pelas escolhas que fez e das quais se arrependeu ou pelas quais
experimentou momentos felizes. São flashes de acontecimentos e,
consequentemente, das situações que originaram esses acontecimentos.
Me vejo,
muitas vezes, fazendo escolhas sem ter uma visão ampla do contexto que me
envolve, sem sequer imaginar possíveis entraves ou mesmo alguns conflitos que
podem vir a me deixar num suspense involuntário. Não gosto de suspense. Nem das
situações difíceis que o roteiro me coloca, mas vejo-me nelas devido às
escolhas feitas enquanto não conseguia imaginar que uma narrativa pensada
romanesca poderia tornar-se um entremeado de suspense com drama à brasileira.
O
mais duro é que a ficção da qual participo devido às tais escolhas feitas há
dez mil anos atrás é uma realidade que me aterroriza no instante presente. Já
houve tantos clímax pós conflitos e eu, meio que petrificada pelos momentos de
suspense, não consegui dar um desfecho. Não estou tendo mais paciência comigo.
Cleonice
Cleonice
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