terça-feira, 23 de maio de 2017

Não estou tendo mais paciência comigo


Sentada aqui na cama observo o filme que as minhas lembranças põem em cartaz neste dia de domingo. São memórias de mulher ocidental latino-americana com sentimentos mistos e simples, únicos e complexos, repleta de culpas incutidas pela cultura na qual está inserida e pelas escolhas que fez e das quais se arrependeu ou pelas quais experimentou momentos felizes. São flashes de acontecimentos e, consequentemente, das situações que originaram esses acontecimentos. 
Me vejo, muitas vezes, fazendo escolhas sem ter uma visão ampla do contexto que me envolve, sem sequer imaginar possíveis entraves ou mesmo alguns conflitos que podem vir a me deixar num suspense involuntário. Não gosto de suspense. Nem das situações difíceis que o roteiro me coloca, mas vejo-me nelas devido às escolhas feitas enquanto não conseguia imaginar que uma narrativa pensada romanesca poderia tornar-se um entremeado de suspense com drama à brasileira. 
O mais duro é que a ficção da qual participo devido às tais escolhas feitas há dez mil anos atrás é uma realidade que me aterroriza no instante presente. Já houve tantos clímax pós conflitos e eu, meio que petrificada pelos momentos de suspense, não consegui dar um desfecho. Não estou tendo mais paciência comigo.
Cleonice

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