O que eu vou contar aqui aconteceu
realmente, mas com a minha irmã...
Conta-se que na época dos reis e
rainhas foi construída na cidade de Londres uma escola encantada, mas que nunca
recebeu alunos. Bem, nunca recebeu alunos até uma professora de geografia
comprar a escola, reformá-la e fazer dela realmente uma escola.
Essa professora se chamava Margaret
e tinha cerca de 50 anos, mas mesmo nessa idade ela procurou, casa por casa, em
Londres até encontrar professores para lecionarem na sua escola. E ela encontrou.
Depois que as reformas acabaram, ela e todos os 47 professores, iniciaram as
aulas, e por incrível que pareça com 2.500 alunos! E um desses alunos era a
minha irmã.
Então como eu disse, essa escola era
encantada e por consequência disso os professores também eram um pouco...
diferentes. Quando minha irmã Emmy chegou nessa escola, percebeu a diferença,
mas como todos agiam assim isso passou a ser normal pra ela, um pouco também
porque ela começou a ficar diferente pelo convívio na escola.
Mas a minha história não é sobre a
escola, é sobre uma aula que a minha irmã teve quando estava no 1º ano do
Colegial. Era aula de magia com um professor que era mago (uau, eu sei que é
estranho um professor mago, mas é verdade!). Então, esse professor mago pediu
para os alunos misturarem umas poções num caldeirão e ligarem o rádio na
melodia que eles mais gostavam. Todos, inclusive minha irmã que era muito
inteligente, acharam estranho o fato de terem que ligar o rádio numa aula de
magia, mas não discutiram.
O professor viu as caras de espanto
dos alunos e explicou que a melodia era para que eles pudessem voltar dos seus
sonhos. Pois aquelas poções que eles jogaram no caldeirão eram pra eles
viajarem no seu sonho mais profundo. Todos os alunos se olharam e, curiosos,
resolveram tentar. O professor avisou que se a melodia não funcionasse, ou
seja, se ela não fosse poderosa o suficiente para ser ouvida no sonho deles, ficariam
presos nesse sonho para sempre. E se, ao som da melodia, não pegassem o portal
de volta também ficariam presos lá. Todos concordaram e seguindo as instruções
do professor mergulharam no caldeirão.
O que vou contar a partir de agora é
o que aconteceu somente com a minha irmã, que vou chamar apenas de Emmy.
Quando Emmy acordou estava sentada
num jardim, num lugar extremamente estranho, pois o céu era roxo, as árvores
cor-de-rosa e pra todo lado se via pessoas todas emperiquitadas passeando nas
ruas. A primeira impressão foi de espanto, mas depois Emmy percebeu que
conhecia esse lugar, que já estivera ali alguma vez.
Ela se levantou e começou a caminhar
pelo jardim. Por todos os lados ela via flores cor-de-rosa e lilases,
cachorrinhos brancos que de longe pareciam ser feitos de algodão-doce e coisas assim.
Depois de tanto andar, Emmy avistou lá no meio de um imenso labirinto de flores
gigantes, um castelo de diamantes. Ela ficou maravilhada com o castelo, e
decidiu ir vê-lo. Quando chegou à entrada do labirinto se deparou com cachorros
iguais àqueles que ela havia visto antes, só que enormes. A primeira coisa que
pensou foi em sair correndo. Mas ao invés disso, ela se lembrou que estava em
um sonho e num sonho se pode tudo. Então rapidamente, de acordo com o que ela
desejava, suas roupas se transformaram em roupas de guerreira antiga com
espada, escudo, lança, e até uma bota de couro preta com um vestido da mesma
cor, e um cinto de prata preso na sua cintura. Ela admirou as suas roupas e
logo em seguida atacou os cachorros. Após tê-los derrotado, Emmy percebeu que
estava no meio do labirinto de flores gigantes e que não fazia ideia de como
sair de lá.
Ela se sentou no chão do labirinto e
começou a pensar: “Aff! Primeiro não sei de onde conheço esse lugar; segundo
não sei como derrotei aqueles cachorros; e terceiro não tenho a menor ideia de
como sair daqui!”.
De repente sai voando de trás das
flores um tapete voador e para bem na sua frente. Ela olha perplexa pro tapete
como se não acreditasse no que estava vendo. Então como se não bastasse o
tapete voar, ele começou a falar:
- Com licença, quem é você? – ele
perguntou meio assustado.
- Ah, eu... eu sou a Emmy. –
respondeu espantada.
- Srta. Emmy, a srta. não é daqui,
é?
- Não, eu não sou. Sou de Londres.
- Londres? Onde fica isso?
- Na Inglaterra. Nossa! Você não
sabe onde é?
- Não? Eu devia saber?
- Sim! Londres é uma cidade muito
importante!
- Desculpe srta., eu não sabia!
- Mas afinal, que lugar é esse?
- Nossa, agora sou eu que estou
espantado! Você não sabe onde estamos?
- Não! Por quê?
- Porquê estamos em Pinkville, o
centro da moda do reino de Dream.
- Onde?
- Venha comigo vou te levar pra fora
desse labirinto, e aí você vai saber do que estou falando.
Ouvindo isso, Emmy subiu no tapete e
eles levantaram voo. Lá fora ela viu várias lojas, boutiques, estúdios de
beleza, salões de beleza, e coisas desse tipo.
- Uau, o prefeito daqui investe
muito em beleza, hein!
- Prefeito? Aqui não tem prefeito,
quem governa é a princesa Brithney Styleson.
- Princesa? Que eu saiba só a
Inglaterra é governada pela família real. Todos os outros lugares são
governados por uma república.
- Desculpe, mas todos os lugares são
governados pela família real.
- Não! Eu tenho certeza disso, e até
sei qual foi o primeiro país a proclamar a independência.
- Então tá! Se não quer acreditar em
mim, veja com seus próprios olhos!
Dizendo isso o
tapete deu meia volta e foi em direção ao castelo de diamantes.
- Só posso ir até aqui. - Disse ele
deixando Emmy na porta do castelo. – Mas continue e verá a nossa princesa!
Tchau! - E saiu voando.
“OK! Vamos lá!”- pensou Emmy
entrando no castelo.
Ao entrar, Emmy se deparou com uma
decoração extremamente cor-de-rosa e roxa. Candelabros de ouro e prata,
espelhos em todos os lados e bem no centro da sala de entrada uma mesa enorme
de ouro e diamantes, com cadeiras rosas com o tecido bordado a ouro. Pra ela
foi espantoso, nunca na vida tinha visto algo tão bonito. Mas mesmo em estado
de transe, ela continuou andando. Subiu as escadas de diamantes roxos que deu
num corredor enorme, onde havia cinco salas. Emmy escolheu a terceira sala que
tinha uma porta rosa com diamantes nos cantos e um espelho bem no meio.
Ela chegou perto da porta, e viu que
estava entreaberta. Espiou e lá dentro viu uma moça loira dos olhos verdes, de
uns 24 anos, usando um vestido rosa com detalhes em ouro, até o joelho, um
salto de uns 5 centímetros prateado e uma coroa de ouro nos cabelos soltos que
iam até o meio das costas. Ela era linda, como tudo que Emmy havia visto
naquele lugar. Emmy se espremeu mais para ver, mas acabou empurrando a porta e
fazendo com que a moça a visse.
- Ah! Quem é você? O que faz no meu
castelo? – ela perguntou.
- Des... culpe! Eu não queria te
assustar! Eu só estava observando!
- Pois me assustou! E que negócio é
esse de ficar me observando? Eu sei que sou bonita, não, na verdade eu sou
perfeita, mas não precisa me bisbilhotar!
- Desculpe! A Sra. sabe me dizer
onde está a princesa Brithney Styleson?
- Senhora? Quem você ousa chamar de
senhora?! Eu sou a princesa dessa província e você, sua menininha
insignificante, não tem o direito de me xingar! – disse super irritada.
- Ah, me desculpe eu não queria
ofendê-la!
- Pois saiba que me ofendeu!
- Então a srta. é a princesa
Brithney?
- Sim, eu sou! Precisa de mim para
alguma coisa?
“Agora que ela perguntou, eu
sinceramente não sei pra que eu vim aqui!” – pensou Emmy.
- Ah..., você sabe como eu saio
daqui?
- Você não é daqui?
- Não, eu sou de Londres.
- Interessante! Pra onde você quer
ir?
- Sabe, eu não sei!
- Como não?
- É que eu estava na aula de magia e
fui transportada para cá.
- Ah, então você quer voltar, não é?
Céus, eu sabia que ia vir gente, mas não sabia que essa ‘gente’ era tão
estranha! – disse a princesa consigo mesma – Menina, tenho instruções para
mandá-la para Goldville. Mas para isso, você deve achar, aqui na cidade, um
quadro mágico e então você vai, magicamente, para lá!
- Uau! Uau! Uau! Você sabia que eu
viria aqui?
- Sim! Foi comunicado no congresso
Dream, que cada cidade iria receber um visitante que já havia sonhado com o
nosso mundo.
- Uau! Que lugar é esse que eu vou?
- Ah, é Goldville. É um lugar que
neva o ano inteiro, mas é o lugar mais rico e poderoso de Dream inteira!
- Uau de novo! Onde eu acho esse
quadro que me transportará ‘magicamente’ até Goldville?
- Ah, é fácil! É no estúdio de... Céus!
Eu não posso te contar! É contra as regras! Desculpe! Vai ter que descobrir.
- OK! Eu procuro! Mas, como eu faço
para passar pelo seu labirinto?
- Ué, o sonho não é seu? Então
deseje o que quiser!
- Eu posso?
- Desde que não seja contra as
regras, pode!
- Maneiro! Então tchau princesa
Brithney! E obrigada!
Então Emmy, muito esperta, desejou
voar e saiu voando pela janela do castelo até o centro da cidade.
Quando chegou se deparou com pessoas
usando as últimas tendências da moda, andando como modelos e com ar de
superioridade. Mesmo não gostando muito delas resolveu pedir pra uma mulher
ruiva de olhos pretos meio rosados ao redor que usava um vestido de onçinha se
ela sabia onde ficava um estúdio. A mulher muito mal-humorada olhou pra Emmy da
cabeça aos pés e respondeu:
- A rua dos estúdios fica duas
quadras acima á esquerda. – disse nojentamente a mulher e saiu.
Emmy se olhou e viu que ainda estava
com as roupas de guerreira e pensou que devia ser por isso que a mulher olhou
pra ela daquele jeito. Então ela desejou estar usando uma adorável calça jeans,
uma blusa xadrez azul e o seu all-star branco. E instantaneamente suas roupas
mudaram, e ela seguiu em frente tranquilamente.
Emmy virou a esquerda como a mulher
havia lhe dito e entrou numa rua repleta de monumentos com a fachada que dizia:
‘Estúdio de alguma coisa de
Pinkville!’. ‘Como que eu vou saber em
qual estúdio entrar?’- pensou Emmy assustada. Sem ter o que fazer, ela resolveu
entrar em todos para ver se achava um quadro mágico. E entra num sai do outro,
entra nesse e vai naquele, entrou num estúdio de balé.
- Bom dia senhorita! Em que posso
ajudá-la? – perguntou uma voz.
Emmy olhou a seu redor e só viu um
tatame, vários espelhos, um camarim cheio de roupas e uma coleção de quadros e
medalhas, mas não viu ninguém.
- Queridaaa! Oi, aqui em cima! – Emmy
olhou pro teto de diamantes espelhados do estúdio e viu uma mulher morena
usando no cabelo um coque e uma roupa rosa de bailarina. - Oi querida! Em que
posso ajudá-la? – perguntou ela.
- Ah, bem eu procuro um quadro mágico que me
transportará para Goldville. – respondeu Emmy perplexa.
- Uhuu! Então é você a viajante de
outro mundo! – disse a mulher descendo do teto por uma corda dourada. – Que bom
que você veio! Esse estúdio é tão parado!
- Você sabe onde está o quadro? –
perguntou Emmy
- Claro anjinho! Está vendo aquela
coleção? – perguntou a mulher apontando para a coleção de quadros e medalhas. –
Então é só você admirá-la, e o quadro que você mais gostar será então o quadro
mágico!
- É só isso?
- Sim amor, é só isso! Vai lá, vai!
Vai admirar os meus belíssimos quadros!
Emmy se dirigiu até a coleção, e
começou a observar os quadros. Havia quadros de meninas dançando, de roupas de
balé, de uma casa dourada, da princesa Brithney e vários outros, mas o que
chamou a atenção de Emmy foi um quadro de uma família (pai, mãe, um filho e uma
filha). Ela ficou olhando o quadro, admirando as roupas da família, analisando
os tipos de cabelo e os olhos brilhantes que todos tinham.
- Eba, eba! Você achou o seu quadro!
Uhuu! E foi uma ótima escolha! – disse a mulher toda alegre - Pois o quadro que
você escolheu vai lhe dar alguns privilégios!
- Que privilégios?
- Você, no caminho para a sua casa
vai encontrar objetos mágicos que vão te ajudar em momentos difíceis! E depois
de encontrá-los, pra você contar com a ajuda deles é só chamá-los!
- Legal! E agora como eu faço para
passar pelo quadro?
- É só desejar isso!
E foi o que Emmy fez. Ela desejou de
olhos fechados com toda força passar por aquele quadro. Assim que abriu os
olhos sentiu uma rajada de vento congelante, seus dentes começaram a tremer e Emmy
mal conseguia ficar em pé.
- Desejo, agora usar uma bota, uma
calça mais quente, uma blusa de manga comprida preta de gola, um casaco roxo,
um cachecol branco e uma boina de lã branca!- desejou Emmy tremendo de frio, e
como nas outras vezes suas roupas mudaram instantaneamente.
Assim que estava agasalhada, Emmy
olhou ao seu redor e viu que a neve era dourada, que havia charretes de ouro e
prata sendo puxadas por unicórnios brancos, árvores prateadas com folhas de
ouro e nenhuma pessoa ou ser vivo. Ela ficou assustada, e resolveu andar pelo
lugar, mas era difícil por causa da neve, e então Emmy desejou um trenó para se
locomover na neve. E, como sempre, instantaneamente, um trenó de ouro apareceu
na sua frente. Ela subiu e começou a andar.
Emmy chegou a um vilarejo que só
havia casas abandonadas. Ela desceu do trenó e foi andando pelas ruas. O vento
frio rachava o seu rosto e suas mãos congelavam. ‘Desejo agora um par de luvas
brancas!’. E o par de luvas apareceu em suas mãos. Com o frio amenizado, ela
continuou andando até avistar ao longe uma casa enorme, que para ela era uma
mansão, bem parecida, aliás, com o Palácio de
Buckingham, na amada sua Inglaterra.
Ela foi correndo até lá e parou em
frente ao imenso portão de entrada, que como tudo era feito de ouro puro e
reluzente. Analisou a mansão que tinha cinco andares e umas cinquenta janelas,
e bem no meio uma porta enorme com uma legenda minúscula que dizia ‘Mansão da
Rainha Elisah. ’
Emmy bateu palmas e de dentro do
castelo apareceu um rapaz que tinha mais ou menos a sua idade, e veio abrir o
portão. Ele usava uma roupa toda dourada como as dos príncipes de antigamente,
tirou do bolso direito uma chave de uns 10 centímetros e abriu o portão.
- Entre, por favor! Aqui está muito
frio! – disse ele apontando para a mansão.
Emmy o acompanhou até lá, e quando
entrou teve uma reação bem parecida com aquela que teve ao entrar no castelo de
diamantes em Pinkville. Era tudo reluzente, feito de ouro da melhor qualidade.
Seus olhos chegavam a ofuscar de tanta luz.
- Me siga até a minha mãe, por
favor. – disse ele naturalmente.
- Que lugar é esse? – perguntou ela
timidamente.
- É a mansão real de Goldville. Eu
sou o príncipe Liam Payke. E lá em cima você vai encontrar a minha mãe, a
Rainha Elisah Payke.
- Uau! Eu sou apenas Emmy Malikarter.
– disse Emmy muito espantada.
Eles andaram três lances de escadas
e entraram num quarto enorme com paredes de prata e com todos os móveis
dourados. E sentada numa poltrona havia uma mulher de uns 42 anos vestida como
rainha, com roupas douradas e uma coroa de ouro puríssimo em sua cabeça.
- Olá menina! Então é você a
criatura de outra dimensão? – ela perguntou.
- Sim, sou eu, Alteza! – disse Emmy
pensando em fazer certo e não pagar nenhum mico na frente do príncipe.
- Muito bem! Você já sabe o que tem
que fazer?
- Não senhora! Eu não tenho a menor
ideia!
- Ótimo! Liam, leve-a e mostre tudo
o que precisar para ela passar para a outra dimensão!
- Sim, mamãe! – disse ele, e pegou Emmy
pela mão. – Vamos!
- Pra onde vamos? – perguntou Emmy
quando saíram do quarto.
- Para o último andar. Lá tem tudo o
que você precisa para passar para Monstertville.
- Passar pra onde? – perguntou Emmy
assustada.
- Calma, é um lugar um tanto
assustador, mas quem governa é justo e leal!
Andaram por um corredor e entraram
numa sala enorme que, por incrível que pareça, não era de ouro. Entrando na
sala Liam abriu um livro, destampou um caldeirão e abriu a janela.
- OK! Podemos começar. Sente-se, por
favor! – pediu com delicadeza. – Vou lhe contar a história de Dream. Há muito
tempo atrás no seu mundo todos acreditavam em magia, que fadas, monstros,
super-poderes existiam. Mas o seu mundo evoluiu, e passou a ver isso como
coisas de outro mundo, coisas que não existem! Então, meio que automaticamente,
essas coisas e todas as outras como reis e rainhas, príncipes e princesas,
foram deixados de lado, e tiveram que achar um lugar para viver. Assim um
centauro muito inteligente fundou o mundo dos sonhos, com a ideia de que as
pessoas tivessem um contato conosco enquanto estão dormindo. – ele fez uma
pausa. – Mas isso não foi o suficiente, pois mesmo os sonhos das pessoas já
estavam sendo invadidos por preocupações da vida. Então os descendentes desse
centauro, entraram nos sonhos de uma professora e a fizeram construir uma
escola encantada, na qual os alunos viriam a conhecer todos os anos o nosso
mundo, através do seu sonho mais profundo. – ele fez outra pausa e observou Emmy,
deu um sorrisinho tímido e continuou. - Esse sonho é um sonho da pessoa mesmo,
um sonho que ela sonhou quando ainda acreditava que nós existíamos. Nesse sonho
a pessoa tem que passar por várias dimensões para ver no que um dia ela
acreditou com o objetivo de que ela volte a acreditar nelas.
Quando ele terminou Emmy estava
espantada, pois não sabia se acreditava ou não nessa história, pois com 15 anos
é estranho alguém acreditar em tudo isso, mas resolveu fazer um esforço.
- Se isso tudo aconteceu realmente,
vocês foram basicamente banidos! Não é?
- É isso mesmo! E você deve nos
ajudar voltando a acreditar no que um dia você acreditou!
- OK! Vou tentar! Mas como é que eu
passo para Monsterville?
- Muito bem! – disse Liam se
levantando. – Está vendo esse livro e esse caldeirão?
- Sim!
- Eles são mágicos! O livro é um
livro de poções e o caldeirão é de sonhos! – disse sorrindo.
- E o que isso tem a ver com a minha
ida a Monsterville?
- Você terá que jogar aqui dentro
umas poções que estão naquele armário de acordo com o livro. – disse apontando
um armário de madeira no canto da sala.
- Beleza! – disse Emmy pegando o
livro da mão de Liam.
- Ei! Calma! Você primeiro tem que
saber que tipo de sonho você quer ter em Monsterville!
- Como assim?
- Monsterville é um lugar
temporário, que muda sempre. Você já deve ter tido pesadelos. Não é? – Emmy fez
que sim com a cabeça. – Então todos os pesadelos vêm de lá. E antes que você
não queira ir, só pra te avisar, as pessoas têm pesadelos para alertá-las de
algo ruim.
- OK! Eu quero ter um pesadelo bem
calmo! – disse Emmy assustada.
- Escolha um tema!
- Pode ter uma lua cheia prateada,
ruas escuras e cheias de árvores, um lago azul, não um lago preto, um navio
naufragado nesse lago, vento sussurrante, uma casa mal-assombrada, quando
estiver de dia um sol cinza metálico e ah... vampiros!
- Nossa! E eu achei que você estava
com medo!
- É que eu estou lendo um livro de
terror de um amigo o Tom Linsonyk!
- Esse seu amigo, não só tem um
sobrenome estranho, como tem gostos aterrorizantes! - eles sorriram um pro
outro.
- Agora é só eu procurar essas
poções no armário e jogar aqui? – perguntou ela.
- É, é só isso! – disse Liam
pensativo.
- O que foi? – perguntou Emmy.
- É que eu nunca fui à Monsterville!
- Você pode vir comigo! De acordo
com o livro se são mais de uma pessoa que vão passar é só jogar as poções em
dobro.
- É sério? Eu posso ir junto?
- Claro! Vai ser mais aterrorizante!
– disse Emmy sorrindo.
Então eles jogaram as poções no
caldeirão e foram transportados para um lugar muito escuro, que só dava pra ver
a lua cheia prateada e um carrossel que girava sem ter ninguém brincando.
- Como é escuro e quente aqui!-
disse Emmy olhando pras roupas deles. – É melhor trocar de roupa! – dizendo
isso Emmy desejou que suas roupas de inverno se transformassem em uma sapatilha
azul florida, numa calça menos quente, numa regata azul na qual estava escrito
‘I LOVE LONDON!’ e num colar de estrela dourado. Ela também transformou as
roupas de Liam num tênis da branco com preto, numa calça jeans e numa camiseta
xadrez azul pra combinar com a dela.
- Agora sim! Está perfeito! – disse
ela sorrindo.
- Que roupas estranhas! – disse Liam
perplexo.
- São roupas simples! Nunca saem de
moda!
- São estranhas, isso sim!
- Agora você pode me dizer por que
tem um carrossel no meio do meu pesadelo? – perguntou Emmy apontando pro
carrossel que continuava a girar sozinho.
- Você não desejou isso?
- Não! – respondeu – A não ser que
seja um dos meus privilégios!
- Privilégios? – perguntou Liam.
- Sim! Quando eu fui passar pra
Goldville, eu precisava achar um quadro mágico, e quando eu achei a mulher do
estúdio de balé, onde estava o quadro disse que de acordo com a minha escolha,
eu teria ao longo do caminho alguns privilégios!
- E o que esses privilégios fazem?
- Eles vão me ajudar nos momentos
mais difíceis!
- Então vamos lá vê-lo! – disse Liam
andando em direção ao carrossel.
- Como vamos saber se ele vai nos
ajudar, se ele não fala?
- Quem disse que eu não falo menina?
– disse um dos cavalos do carrossel. – Eu falo muito bem, e em quinze idiomas
diferentes.
- Desculpe! Eu não sabia! Se você
fala, você também pode me ajudar, não é?
- Claro! Eu sou um dos seus
privilégios!
- Então no que você pode nos ajudar?
– perguntou Liam.
- Vou levá-los até a rua onde está o
portal pra você ir pra casa! – disse o cavalo – Mas tomem cuidado, pois há
vampiros andando pelas ruas.
- Pode deixar! Vamos tomar! – disse Emmy
confiante.
- Então subam em mim, e vou levá-los
até lá! – assim que ele disse isso Emmy e Liam subiram no carrossel e pararam
numa rua escura e repleta de árvores. Logo correram para trás de uma árvore.
- Deve ser lá o portal, naquela
cerca - viva que está brilhando. – sussurrou Emmy para Liam.
Era uma cerca -
viva comum, só que havia um retângulo cujas bordas brilhavam, apagando e
acendendo como um pisca-pisca de natal.
- Mas como vamos passar pelos
vampiros? – perguntou Liam.
- Ei, psiu! Vocês aí! Olhem pra cá!
Aqui em baixo! – disse uma voz fina vindo do chão.
- Quem é você? – perguntou Liam.
- Eu sou Tay, a pincel mágica! –
disse um pincel lilás sorrindo. – E sei como vocês podem passar pelos vampiros
sem que eles ou o rei Nick Horany os veja.
- Como? – perguntou Emmy
interessada.
- É só vocês fazerem um desenho me
usando. Pode ser um animal, ou qualquer coisa que distraia a atenção deles.
Então todos os vampiros vão olhar e vocês poderão passar pelo outro lado sem
que eles os vejam. – disse Tay sorrindo.
- Beleza! Vem cá! – disse Emmy
pegando Tay na mão e desenhando um elefante amarelo. – Liam me ajuda a colocá-lo
ali na rua! – Liam se levantou e empurrou o elefante, que por sinal era bem
leve, até a rua.
- OK! Tchau pessoal, foi bom
conhecê-los! – disse Tay se escondendo atrás da árvore.
- Vamos Liam! Os vampiros já estão
vindo! – disse Emmy puxando Liam pelo braço. – Obrigada! – Disseram eles para Tay. Então
cruzaram a rua correndo e foram em direção ao portal. Mas de repente na frente
deles apareceu um homem muito alto, usando uma capa preta sobre a sua roupa
preta.
- Aonde vocês pensam que vão? –
perguntou o homem.
- Ah..., nós..., vamos pro...
portal! – disse Emmy horrorizada.
- Então vocês são os seres de outro
mundo que vieram para voltar a acreditar no que há nos sonhos? – perguntou.
- Só ela é. Eu sou Liam Payke, de
Goldville, só estou ajudando. – disse Liam.
- Muito bem, Liam. Você não se
lembra de mim? Eu sou o seu padrinho, o rei Nick Horany.
- Nossa, como você mudou! – disse
Liam um tanto perplexo.
- Pois é! – disse sério – Você disse
que está ajudando essa linda moça a passar pelo portal. Mas eu acho que você
esqueceu que não pode passar pelo portal junto com ela, não é?
- O que?! Por que ele não pode
passar pelo portal comigo? – disse Emmy meio triste e assustada.
- Porque ele pertence à Dream, e não
pode mudar de dimensão, a não ser que a família dos centauros permita. O que é
muito difícil, pois se eles perdessem um príncipe perderiam todas as outras
criaturas!
- Mas...
- Não se preocupe, ele vai ficar
bem! Vai voltar para Goldville! Mas agora, que tal você passar logo pelo
portal, porque eu não vou segurar os meus vampiros quando eles acabarem.
- Vamos Emmy, vamos pro portal! –
disse Liam a puxando pela mão.
- Você não pode vir comigo!
- Eu sei! Mas o importante é que
você vá!
- Eu não quero ir e te deixar aqui!
- Por que não?
- Porque eu me apaixonei por você! –
disse Emmy de cabeça baixa.
- Escuta Emmy. – disse Liam
levantando a cabeça dela. – Você não pode me levar, mas pode sonhar comigo
todas as noites. – dizendo isso segurou o seu pescoço e beijou seus lábios. –
Eu também me apaixonei por você! – disse sorrindo.
- Eu nunca vou te esquecer, Liam!
Você vai estar em todos os meus sonhos e no meu coração para sempre! – dizendo
isso Emmy escutou uma melodia e entrou no portal.
Quando abriu os olhos estava no
final da aula de magia e todos estavam olhando para ela.
- Aleluia! Pensei que tivesse ficado
presa no seu sonho! – disse o professor. – Agora alunos arrumem o seu material
e podem ir pra casa, pois o sinal já vai bater! Todos os alunos saíram
inclusive Emmy.
Quando ela chegou em casa foi direto
pro nosso quarto e me contou toda essa história, que agora eu estou contando
pra vocês. Pois o sonho dela antes de ter essa experiência era ter sua história
contada para todas as pessoas, espero que ela não se incomode com o jeito que
eu contei! Agora pessoal eu tenho que ir, pois vai ser a minha vez de viajar
pro mundo dos sonhos! Tchau!
Contribuição de Larissa Flois. (histórias fantásticas)