Sou escritora,
crio minha própria linguagem.
Sou poetisa,
transformo letras em bilhetes de passagem.
Posso moldar as
sílabas pra dar a forma desejada
Posso criar meu
próprio signo que os gramatiqueiros não vão entender nada.
Acho a
lingüística importante
Mas não quero
me ocupar dela.
A literatura é
mais interessante
É mais
prazeroso trabalhar com ela.
Mudaram as
regras de ortografia
Vamos ter que
nos adaptar de novo.
Será que agora
vamos escrever a língua do povo?
É de um povo,
mas não do nosso, essa grafia!
Quem entende
esse país
Quer ser tão
independente.
É incoerente.
Não escreve o que diz
Não tem
ortografia com a cara da sua gente.
Precisamos de
uma nova ruptura
Pois avançamos
tanto e progredimos pouco.
Haja vista que
o academicismo ainda diz que é louco
Aquele que
aceita as novas tendências como literatura.
Não somos
descendentes de ousados modernistas
Que faziam
experimentações em busca de uma linguagem autêntica?
Ninguém quer
lixo. Queremos somente o que nos identifica
Somos
Antropófagos-Pau-Brasil, não somos chauvinistas.
Precisamos
verso a verso descabralizar o Brasil
Não nos
submeter a diplomáticas imposições.
Mal um século
que nos soltamos das metrificações
E estamos
voltando a ser colônia do Português gentil.
Cleo...
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