Benevolência com quem?
Certa vez, numa incerta
situação, precisava decidir entre um sim e um não. Como é difícil tomar algumas
decisões, aliás, para uma virginiana decidir exige muita análise. Apesar de ser
super a favor da praticidade e do gerenciamento estratégico das atividades
diárias para eficácia de toda e qualquer situação evitando assim, gastos de energia
desnecessários, o pensar e repensar a que me condiciono é, quase sempre, uma
tarefa exaustiva, pois até escolhas simples se veem envoltas numa esfera
analítica que, à primeira vista, pode até parecer algo muito bom. — Que legal,
ela analisa tudo antes de tomar decisões. — Olha que pessoa organizada, não
decide nada antes de analisar minuciosamente. Só que não! Analisar tão
minuciosamente exige um gasto de energia bem grande que, torna uma decisão
simples num plebiscito: devo escolher entre sim e não. E o que envolve essas
possibilidades nem sempre é contemplado. Foca-se basicamente no ato de decidir.
Na incerta decisão da
qual certa vez refere-se, eu precisava escolher entre encerrar o ciclo da
maternidade ou deixar em aberto para possíveis possibilidades futuras. Eu já
não queria manter essa possibilidade aberta mas me sentia culpada por não ter
sido essa uma decisão consensual de dois envolvidos. Era como se a analítica
aqui tivesse que decidir sozinha, mas contemplando o gosto dos dois. Eu tinha o
poder da escolha. Em qualquer outro tempo, antes e depois da maternidade minha
escolha era sempre pelo encerramento daquele ciclo, naquele momento, naqueles
meses que antecediam o clímax da trama, eu escolhi a benevolência. Infeliz
escolha. Benevolência com quem? Comigo nunca. Sigo reparando as podas que essa
decisão me fez, porque achei que precisava agradar com minha escolha. Eta
complexo de colonizada! Infelizmente, submeter-se também é uma escolha, apenas
está imbuída de uma grande e total falta de visão amplificada do que pode vir a
ser. Isso pesou como uma canga por tempo demais.
Cleonice
Cleonice
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