terça-feira, 6 de junho de 2017

Benevolência com quem?

Certa vez, numa incerta situação, precisava decidir entre um sim e um não. Como é difícil tomar algumas decisões, aliás, para uma virginiana decidir exige muita análise. Apesar de ser super a favor da praticidade e do gerenciamento estratégico das atividades diárias para eficácia de toda e qualquer situação evitando assim, gastos de energia desnecessários, o pensar e repensar a que me condiciono é, quase sempre, uma tarefa exaustiva, pois até escolhas simples se veem envoltas numa esfera analítica que, à primeira vista, pode até parecer algo muito bom. — Que legal, ela analisa tudo antes de tomar decisões. — Olha que pessoa organizada, não decide nada antes de analisar minuciosamente. Só que não! Analisar tão minuciosamente exige um gasto de energia bem grande que, torna uma decisão simples num plebiscito: devo escolher entre sim e não. E o que envolve essas possibilidades nem sempre é contemplado. Foca-se basicamente no ato de decidir.

Na incerta decisão da qual certa vez refere-se, eu precisava escolher entre encerrar o ciclo da maternidade ou deixar em aberto para possíveis possibilidades futuras. Eu já não queria manter essa possibilidade aberta mas me sentia culpada por não ter sido essa uma decisão consensual de dois envolvidos. Era como se a analítica aqui tivesse que decidir sozinha, mas contemplando o gosto dos dois. Eu tinha o poder da escolha. Em qualquer outro tempo, antes e depois da maternidade minha escolha era sempre pelo encerramento daquele ciclo, naquele momento, naqueles meses que antecediam o clímax da trama, eu escolhi a benevolência. Infeliz escolha. Benevolência com quem? Comigo nunca. Sigo reparando as podas que essa decisão me fez, porque achei que precisava agradar com minha escolha. Eta complexo de colonizada! Infelizmente, submeter-se também é uma escolha, apenas está imbuída de uma grande e total falta de visão amplificada do que pode vir a ser. Isso pesou como uma canga por tempo demais.
Cleonice

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